Contato:
bengochea@brigadamilitar.rs.gov.br

ORDEM & LIBERDADE


www.bengochea.com.br


O site que desvenda a insegurança no Brasil



Artigos


No mundo da cocaína


Rogério Mendelski
[fonte: Correio do Povo RS]


Onde fica o mundo da cocaína? Há quem acredite que seja na Colômbia, talvez por que a maior estrela desse misterioso e perigoso lugar fosse Pablo Escobar, um colombiano que viveu e morreu liderando o mais importante cartel de cocaína do planeta. Pablo Escobar é um personagem que rende livros e filmes e, mesmo depois de morto pelas forças de segurança da Colômbia, ainda carimba a má fama do país. O México não fica atrás nesse ranking maldito, mas o perigo está mais próximo de nós e quem resolveu denunciá-lo é o pré-candidato a presidente José Serra. Nos últimos dias, Serra, toda vez que é provocado sobre o assunto, aponta a Bolívia como o grande exportador de cocaína para o Brasil. Esse seria o mundo da cocaína sob o olhar de José Serra. É de lá que o pré-candidato do PSDB vê o ingresso da droga que assola o nosso país: "A cocaína vem de 80% a 90% da Bolívia e você acha - perguntou ele a um jornalista - que o país iria exportar a droga consumida no Brasil sem que o governo de lá fosse cúmplice?". A constatação não é de um policial ou de um jornalista, mas de um político que poderá presidir o Brasil caso vença a eleição de outubro. José Serra acabou dando um recado direto e pouco diplomático ao governo de Evo Morales que respondeu, de pronto, por intermédio do ministro de Relações Exteriores, Oscar Coca (pura coincidência), classificando de "irresponsáveis" e "político-eleitorais" aquelas manifestações. Dilma Rousseff também saiu em defesa da Bolívia rejeitando a "demonização" do país e a cumplicidade com o tráfico de drogas. Acusações à parte, o dado sobre percentual de ingresso de cocaína no Brasil - 70%, 80% ou 90% - mesmo sendo variável tem uma verdade: é da Bolívia que vem quase toda a droga consumida nestas plagas. E desse total, mais da metade ingressa por Corumbá (MS), que faz divisa internacional com Puerto Suarez, numa fronteira seca e vigiada com precariedade por nossas autoridades. O mundo da cocaína tem histórias de arrepiar nas quais se fundem traficantes, miseráveis que vivem como "mulas" transportando a droga no estômago, servidores públicos corruptos e assassinos de aluguel, todos envolvidos num marketing sinistro que tem início nas plantações de coca, passa por um processo de produção industrial-artesanal e culmina comercializado pelo crime organizado brasileiro. Se a cocaína tivesse uma mensagem publicitária poderia ser assim: "Dos pés dos cocaleiros bolivianos às narinas e às veias dos brasileiros".

A produção

Um quilo de pasta-base de cocaína - a matéria-prima para a droga pura, para o crack e para a merla - é produzido a partir de 250 quilos de folhas de coca. A planta é colhida e são os índios bolivianos que pisoteiam as folhas como os colonos italianos esmagavam uvas para fazer vinho. O "suco" das folhas é acondicionado em barris com óleo diesel, o qual com mais uma mistura de bicarbonato tem como resultado a pasta-base. O processo finaliza quando o diesel é lavado com água, restando apenas a pasta base com 100% de pureza.

O transporte

A pasta-base chega até a fronteira brasileira por trens, caminhões e pequenos aviões bolivianos. Após ser acondicionada em cápsulas e engolidas pelas "mulas", começa a operação do contrabando para o Brasil, que aumentou via terrestre depois da vigência da Lei do Abate (a FAB pode derrubar aviões clandestinos). O juiz José Berlange Andrade, da comarca de Terenos (MS), define as "mulas humanas" como pessoas desesperadas que buscam algum dinheiro para suas necessidades. A miséria deixa-as como animais de carga que recebem uma ordem, levam a droga em seu corpo e quando chegam ao seu destino recebem o valor do frete.

A industrialização

A pasta-base vem do interior da Bolívia, de regiões como Cochabamba e Santa Cruz de La Sierra. As autoridades calculam que 38 mil hectares são ocupados com plantações de coca e também pela produção da pasta-base. O produto chega mais perto da fronteira em vilas como Puerto Quijarro e Puerto Suarez, onde a pasta-base é "industrializada" para a sua embalagem em cápsulas. Posteriormente, essas cápsulas serão engolidas por homens e mulheres que se encarregarão de transportá-las como "mulas" para o lado brasileiro. As duas localidades bolivianas recebem 100 quilos de pasta-base por dia.

No comércio

O refino para a produção do pó branco é feito no Brasil. A pasta-base, que custa em média R$ 10 mil a R$ 12 mil o quilo, ao ser refinada pode atingir R$ 30 mil. Ainda é possível de se aproveitar a sobra do refino para o crack e a merla. Continua sendo um mistério como a cocaína pura e seus subprodutos chegam ao morro, às festas do mundo fashion, aos presídios e às "cracolândias." O nosso sistema repressivo lembra aqueles saborosos queijos suíços. Não adianta brigar apenas com a Bolívia. A pasta-base se transforma na "branca pura" pelo refino nacional e pela omissão das autoridades brasileiras.



COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Todo mundo já sabe que a droga passa pela fornteiras do Brasil. O que o Governo fez para impedir este trãnsito. As únicas medidas que toma são superficiais, imediatistas, inoperantes e sem permanência ou continuidade. São ações realizadas de inopino pelas Forças Armadas e Polícia Federal que não fazem o policiamento preventivo e repressivo, não patrulham as fronteiras e nem estão ocmprometidos com a segurança das linhas de fronteiras. Até por que não é finalidade das Forças Armadas e da PF o policiamento, o patrulhamento e a permanência nas fronteiras. Portanto, enquanto a União não criar uma Polícia Nacional de Fronteiras este problema não será resolvido. Na minha opinião, o governo deveria entrar o policiamento de trânsito das rodovidas federais aos Estados, cumprindo assim o princípio da autonomia federativa previsto na constituição federal. Com isto, a PRF, que já é uma polícia bem paga, seria transformada em Polícia Nacional de Fronteiras, organizada em duas categorias de agentes - nível superior e nível médio- e recebendo a estrutura e o adestramento necessário para o exercício desta função indispensável à ordem pública.



Retornar