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A violência é insuportável [no Rio Grande do Sul]


Zero Hora - Editorial
[fonte: Zero Hora]


Os números divulgados pela Secretaria da Segurança Pública do Estado podem ser lidos tanto pelo lado da pequena redução de alguns dos crimes (como os de furto e roubo de automóveis) quanto pela elevação de outros (como os de homicídio, latrocínio ou tráfico de entorpecentes). Mas a leitura mais adequada é a de que continuam altíssimos os índices de uma violência insuportável para os cidadãos.

O levantamento das autoridades de segurança compara dados dos primeiros cinco meses do ano passado com os do mesmo período de 2010, identificando uma oscilação, que na maioria dos casos é positiva para a sociedade, dos tipos de crimes ocorridos no Estado. Por trás dos números e até das tendências, o que não se pode deixar de ver é a cifra ainda absurda de fatos criminosos: nesse período ocorreram 729 homicídios, 94 mil furtos ou roubos, 11 mil furtos ou roubos de veículos, mais de 5 mil casos de estelionato e 2,8 mil ocorrências de tráfico de drogas.

É evidente que todos os avanços nesta área devem ser saudados como conquistas e como objetivos atingidos. É evidente também que, se tais objetivos e tais conquistas obedecerem a uma tendência consistente, devem servir de plataforma para a ampliação dos esforços das autoridades e para a confirmação de caminhos na busca de um padrão de segurança verdadeiramente eficaz. Mesmo assim, não se pode celebrar uma estatística que revela uma realidade marcada a cada mês por milhares de incidências criminosas, a maioria das quais sem consequência penal para seus autores, figurando apenas, quando isso ocorre, como dado estatístico para uma macabra contabilidade de delitos.

Os números da segurança pública precisam ser vistos, pois, como uma denúncia da realidade de violência que ainda persiste. De destacável é a crescente aproximação entre as demandas da sociedade nessa área e a resposta das instituições públicas das três esferas federativas. Tal aproximação, ainda insuficiente e às vezes precária, precisa ser transformada em condições favoráveis ao enfrentamento do crime e à eliminação de suas raízes.



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