Luzia Herrmann, professora aposentada [fonte: Zero Hora]
Sabe, às vezes nos sentimos impotentes diante de tantos problemas, preconceitos, descaso... diante de tanto jogo de interesses que, na grande maioria das vezes, não têm o ser humano como foco das preocupações e das ações.
Sou professora aposentada, 57 anos, casada, três filhos, uma neta; alfabetizadora durante anos, formadora de professores de nível médio em Curso Normal, militante sindical desde a década de 70, vejo, com muita apreensão, a forma como são abordadas questões fundamentais para o bem-estar da sociedade. Há temas que se transformam em “moda” e estão na mídia, quase que diariamente. O bullying, como se referem, agora, às diferentes formas de agressão, é um deles. Nós denunciamos isso há muitos anos, nas escolas, nas famílias, nas mais diferentes instituições e classes sociais.
A escola é um lugar onde “explodem” esses problemas, pois a criança vem de casa com toda essa “bagagem”. E o professor? Como está essa “pessoa”? Qual a sua situação de vida? Saúde física e mental? Como poderá enfrentar todos os desafios que se apresentam? Quem lhe dá suporte?
Caso a defesa do professor venha do sindicato, dizem que é corporativismo. Nossa classe já não aguenta mais. Não é por acaso que há laudos “pipocando” nas escolas. É muita pressão! Esse adolescente que rouba é culpado? Quem é culpado? Existem culpados! Como localizá-los? Que ações deverão ser implementadas para minimizar a desgraça da população: drogas, valores distorcidos...?
Família educa! Professor ensina!
Esse adolescente é um problema não só dessa professora, mas da escola, da família, do bairro, da cidade, do Estado, do país, enfim, de um sistema que tomou conta da sociedade como um todo, em qualquer lugar do mundo, em todas as classes sociais.
Somente quem está nas escolas pode avaliar o que significa conviver com todas as dificuldades que lá existem, de toda ordem. Agora, ano eleitoral, é revoltante ouvir discursos que têm solução pra tudo.
Ou mudamos a forma de encarar a vida humana, ou a barbárie se instala de uma vez por todas.
Neste desabafo, quero dizer que muitos de nós estamos trabalhando pelo bem das pessoas. Nós, professores, queremos trabalhar em boas condições, com segurança, com conhecimento de causa e que os alunos aprendam, pois é para isso que existe nossa profissão.
COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Este artigo deveria ser lido e relido pelas autoridades. Ao afirmar que "é um problema não só dessa professora, mas da escola, da família, do bairro, da cidade, do Estado, do país, enfim, de um sistema que tomou conta da sociedade como um todo, em qualquer lugar do mundo, em todas as classes sociais", ela mostra o professor tem um papel muito pequeno em relação ao ambiente em que um aluno está envolvido. O sistema brasileiro de educação e justiça não dá suporte, valor e condições necessárias, especialmente de disciplina, para um professor para ensinar e orientar o aluno para o mercado de trabalho com dignidade e segurança.
"Família educa! Professor ensina!"e Governo apoia! - É o governo que elabora as leis, executa as leis e aplica as leis. É o Governo que dá o apoio administrativo e salarial para um professor ensinar com dignidade e segurança. É a autoridade do Diretor da um Escola e do professor que impõem a disciplina e a ordem dentro da escola e não a polícia. É a certeza da punição administrativa que faz pais e alunos respeitarem a autoridade administrativa de um professor e de um Diretor de Escola. Enquanto estes dois agentes de ensino não tiverem o suporte da lei, apoio da justiça e valorização dos Executivos não haverá reação positiva contra a violência dentro das escolas.