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A União Policial


Danillo Ferreira
[fonte: Abordagem Policial]


http://abordagempolicial.com/; 16/06/2010



Dos vícios e virtudes encontrados num curso de formação policial militar, devo reconhecer algo muito positivo que geralmente é apregoado como necessidade primeira no desempenho do serviço policial: a união entre os colegas de trabalho. Não são poucos os casos em que a união entre os policiais consegue aliviar agruras rotineiras, e até mesmo aquelas menos comuns, mas mais dolorosas.

Tome-se como exemplo o caso de policiais que são vítimas de disparo de arma de fogo acidental. Por imprudência, negligência ou imperícia ocorre que esses policiais se tornam culpados pelo dano causado a si mesmo, não tendo direito ao necessário zelo por parte do Estado – que geralmente não dota seus profissionais de instrução e capacitação necessárias. Conheço muitos casos em que a própria tropa se mobiliza, dividindo os custos de tratamentos e medicamentos para ajudar o policial necessitado.

Muitas viúvas que têm seus maridos mortos no cumprimento do dever, na espera do lentíssimo desenrolar burocrático necessário ao recebimento da pensão, acabam passando necessidades primárias. Como pagar o cartão de crédito, o supermercado e a escola dos filhos? A tropa, companheira de batalha do homem que morreu pela sociedade, muitas vezes abraça a causa da viúva, comprando cestas básicas, mantimentos, realizando empréstimos etc.

Como se vê, a profissão policial, pelo constante liame com a perda e ganho da vida, da liberdade e de outros bens jurídicos fundamentais, necessita, mais que outras atividades, dum consciente coletivo que fomente a empatia – a identificação de si no outro. Desde o copo d’água numa diligência mais demorada até o constante alerta com a atuação do colega numa abordagem realizada: a união deve ser a tônica para o êxito no trabalho realizado.

Uma grande questão que se impõe é a forma de se estender essa união quase que instintiva dos policiais em momentos de crise para mobilizações maiores. Um bom exemplo recente do exercício policial da coletividade é a reivindicação em prol da Proposta de Emenda Constitucional de número 300, a PEC 300. Milhares de policiais em todo o Brasil estão atentos ao desenrolar da medida, com variados graus de ativismo, mas todos eles ao menos observando e torcendo. Como fazer com que os observadores se tornem mobilizadores?

Como unir, também, polícia civil e polícia militar, que no atual sistema de segurança pública devem, ao menos, trabalhar de forma integrada, algo frisado e batido pelos governantes, mas que dificilmente ocorre de fato. Se a diligência aplicada na junção de esforços administrativos e de planejamento fosse a que se aplica numa ocorrência onde criminosos estão pondo em risco a vida de um policial, teríamos instituições policiais quase ideais.

Assim, faz-se necessário o fomento da união entre os policiais, principalmente no curso de formação – o que não significa o fomento do corporativismo. Dividir e criar indisposições só interessa aos aproveitadores, que não querem uma corporação policial forte e com uma consciência coletiva minimamente organizada. Uni-vos, pois, policiais…



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