PÁGINA 10 | ROSANE DE OLIVEIRA - Se beber, não dirija
Cobrada por ter reduzido a fiscalização da Lei Seca, a Brigada Militar encontrou uma forma criativa de coibir o consumo de álcool por motoristas. Policiais à paisana ficam em bares e casas noturnas acompanhando o comportamento dos clientes e, quando veem alguém com sinais de embriaguez sair dirigindo, avisam os colegas que estão em outra viatura, para que o sujeito seja abordado. Os policiais submetem o motorista ao teste do bafômetro e, dependendo do resultado, retêm o carro e a carteira e aplicam a devida multa. Quem se recusa a fazer o teste e apresenta sinais de embriaguez tem a carteira apreendida.
Radical demais, dizem os críticos da medida. Pode até ser, mas necessária diante da urgência de fazer alguma coisa para reduzir as mortes em acidentes. Só no Rio Grande do Sul, mais de 800 pessoas perderam a vida no trânsito de janeiro até agora, boa parte por culpa de motoristas embriagados que provocaram acidentes fatais e se tornaram vítimas ou responsáveis pela morte de quem estava no seu caminho.
Claro que o ideal seria o policial à paisana chamar o motorista bêbado para uma conversa e convencê-lo a deixar o carro no local e chamar um táxi. É isso o que fazem os voluntários da ONG Vida Urgente, mas quantos motoristas entendem a linguagem do bom senso? Se tivessem consciência, não teriam bebido antes de pegar a direção. Resta à autoridade usar a força da lei, que prevê punições para quem desrespeita as regras de trânsito.
Em geral, os que reclamam dos policiais disfarçados de clientes em bares, alegando que “isso é coisa da ditadura”, são os mesmos que protestam contra os controladores de velocidade. Esquecem que a indústria da multa por excesso de velocidade ou por embriaguez não prosperaria se todos respeitassem as leis, da mesma forma que os traficantes quebrariam se não houvesse consumidores de drogas.
COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - É mais uma medida paliativa. O problema não está na fiscalização, mas na continuidade na justiça onde os violadores desta lei não são punidos.