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Pelotão Esperança (e Proerd)


Cláudio Brito
[fonte: Zero Hora]


Alarmado como todos os que se importam com os danos sociais a que estamos expostos, revejo os impactos que o flagelo das drogas tem causado a muitos jovens e à sociedade e consigo ainda ter esperança de que um dia venceremos. Procuro conhecer ações positivas e resultados favoráveis no balanço da guerra que enfrentamos. Nos últimos dias, realimentei meu otimismo. Conheci mais de perto o trabalho da Cufa – Central Única das Favelas, ouvi relatos corajosos de pessoas de comunidades diretamente atingidas pela devastação do crack e confirmei as apostas que faço no trabalho de cientistas da área da saúde, que nos ensinam a visão mais adequada sobre o tema, hoje de interesse multidisciplinar e geral. Ou tratamos disso em rede, ou será previsível sucumbir.

Foram três dias de imersão que o Congresso Internacional Crack e outras Drogas ofereceu a mais de 1,2 mil participantes. Médicos, psicólogos, policiais, promotores, assistentes sociais, advogados, sociólogos, antropólogos, educadores, juízes e jovens estudantes de todas essas áreas mergulharam na realidade. Dados de pesquisas foram trabalhados com a força da verdade. Depois de palestras e painéis, as produtivas oficinas foram o grande resultado do evento. O encontro informal de expositores e plateia causará a multiplicação e difusão de novas estratégias na prevenção, tratamento e repressão, nossas três frentes de batalha.

São pesados os números de nossas derrotas. Um menino vencido pela droga é uma vantagem do mal sobre todos nós, mas é hora de reconhecermos nossas vitórias. Comunidades terapêuticas, associações de cidadãos, clubes esportivos, escolas e outros entes sociais têm dados relevantes para mostrar. E precisamos dar visibilidade a essas experiências. Será o estímulo necessário para que novas realizações equilibrem o confronto.

Como se trata mesmo de uma guerra, merecem destaque dois programas de corporações militares. O Proerd, da Brigada Militar, que busca a erradicação das drogas pela prevenção, e o Pelotão Esperança, do Exército, iniciativa do 16º GAC, em São Leopoldo. Sua missão é conduzir jovens, entre os 15 e os 17 anos, matriculados no mínimo na 7ª série. Um grupo de 50 adolescentes realiza treinamentos e recebe orientação profissionalizante. Civismo, disciplina, esportes e reforço escolar estão no cardápio desses meninos. É o Pelotão Esperança, criado em 1996 para retirar jovens carentes da situação de vulnerabilidade que só facilitava a queda na drogadição. Uma ação integrada com prefeitura, Senac, Senai, Sesi e outras entidades de representação social.

Lembro-me, então, do que disse o ministro Gilmar Mendes, do STF, na conversa que tive com ele no Bom Dia Rio Grande, da RBSTV. Disse o jurista, com todas as letras que a clareza impunha: “Não se cogite de novas leis, mais ou menos brandas, não se cobre das instituições todas as respostas, que não será na Justiça que conseguiremos a vitória pretendida. Cada um e todos nós precisamos participar desse combate.

Na família, na escola, em todos os lugares. Temos que romper alguns modelos e mudar a cultura que tem amortecido a sociedade muitas vezes”. É preciso acordar e lutar, na raiz, na origem, lá onde o traficante vai seduzir sua clientela. Todos precisamos seduzir mais. A vida com valores sólidos, permanentes e insubstituíveis terá que ser mais interessante que a aventura ilusória dos entorpecentes. Tenho a mesma esperança que os meninos daquele pelotão experimentam.



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