Mais uma vez, as emergências hospitalares estão superlotadas por pacientes procedentes de todo o Estado, quadro que tende a ficar mais grave com a onda de frio que se aproxima. Estranhamente, o governo federal, pelo Ministério da Saúde, divulga em revistas, jornais e televisão a entrada em funcionamento em todo o Brasil, inclusive no Rio Grande do Sul, das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) 24 Horas integradas com o Samu.
A finalidade do projeto é proporcionar o atendimento de urgência e emergência nas cidades do Interior, evitando a centralização nos hospitais das grandes cidades, em especial Porto Alegre. Na propaganda, disponibiliza-se o telefone 0800611997 e os endereços eletrônicos www.saúde.gov.br e www.upasamu.com.br.
Trata-se de propaganda que leva a população a acreditar que já existem serviços para atendimento médico de urgência e emergência, interligados pelo Samu em todo o Estado. No site, consta que as UPAs estão com obras em andamento, mas a realidade é que apenas a unidade de Santa Maria está realmente em construção. Diante do desencontro de informações, o Cremers oficialmente solicitou informações aos gestores do Estado e do município de Porto Alegre, questionando sobre os endereços das referidas unidades para a avaliação que lhe compete fazer a respeito desse novo serviço. As respostas recebidas são vagas e superficiais.
Em nosso Estado, as UPAs estariam localizadas em Alegrete, Bom Princípio, Cachoeira do Sul, Canoas, Cruz Alta, Esteio, Lajeado, Novo Hamburgo (2), Passo Fundo, Pelotas, Rio Grande, Santa Maria, Santa Rosa, São Borja e Vacaria, entre outros municípios, num total de 32 unidades.
De acordo com a propaganda, em Porto Alegre estariam em pleno funcionamento duas UPAs, que não sabemos onde estão situadas – ou onde serão construídas –, pois os gestores até agora nada informaram.
O Cremers aguarda a manifestação das autoridades estaduais e municipais responsáveis pela implantação desse projeto, de enorme relevância social. As UPAs irão contribuir para descentralizar o atendimento das urgências e emergências, diminuindo a superlotação dos grandes hospitais.
O Cremers não entende o silêncio dos gestores frente a esta propaganda e estranha mais ainda o silêncio dos órgãos responsáveis pela fiscalização das ações da saúde dos governos estadual e municipal. Felizmente, o jornal Diário Gaúcho, em sua edição de sábado, dia 10, supre em parte essa lacuna, informando que o Ministério da Saúde já repassou R$ 3,6 milhões de um total previsto de R$ 36,6 milhões, e que 16 UPAs já deveriam estar em atendimento.
O Cremers e a população aguardam uma explicação pública. Afinal, com saúde não se brinca.