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A falsa história das escolas militares


José Augusto de Castro Neto
[fonte: Jornal do Comercio - RS]


Escrevo estas linhas por ter obtido, com um comentário, alguma repercussão entre leitores de “blogs” da internet sobre matéria publicada com o título desse artigo. A matéria noticiava que o sistema dos colégios militares, do Exército Brasileiro, adota para seus alunos livros didáticos de História do Brasil produzidos pela editora da Biblioteca do Exército, com suas versões próprias sobre o regime militar. Com isso, os alunos dos colégios militares estudam o que foi construído, o clima de trabalho sério, e o indubitável desenvolvimento do País no período. Para os críticos profissionais, o grande pecado dessa adoção poderia ser a “alienação” dos alunos sobre a repressão política, as prisões e torturas havidas, atualmente tão alardeadas principalmente por aqueles que lucram econômica e/ou eleitoralmente com esse triste passado. Não concordo com essa crítica. Eu, por exemplo, nascido em 1950, quase nada estudei, no 1º Grau, sobre as inúmeras revoluções de 1920/1930, ou suas vítimas, então próximas, e creio que não fez grande falta o profundo estudo daquele período na minha formação. Por outro lado, nada há de errado ou fora da lei nessa adoção de livros didáticos pelo critério de preferência dos professores, em qualquer escola. Em uma democracia, é assim que funciona. Cabe aos pais atuantes escolherem as escolas e colégios dos filhos, dentro de suas convicções e possibilidades. Não esperem, os pais ateus, com filhos no Colégio das Irmãs de Caridade, um ensino na sua linha de pensamento.

Ninguém vai estudar com imparcialidade o capitalismo globalizado nas Faculdades Florestan Fernandes, entre fotos de Fidel, Mao e Che. Assim como não esperem que militares, dentro de um colégio militar, mudem a sua história para dar destaque a dramas pessoais duvidosos vividos durante um processo em que o Brasil saiu ganhando. É uma questão de lógica: quem não gosta de versões contrárias às suas, polêmicas religiosas, políticas, ideológicas, sexuais, filosóficas ou futebolísticas, escolha seu ambiente de estudo, trabalho ou lazer. O problema é o dinheiro público destinado aos colégios militares? Está fazendo muita falta, apesar de constar na LDO? Então é simples: acabem com os colégios militares. No atual nível e estado do ensino público, talvez não façam falta, e os militares voltam para seus afazeres. Outros colégios mais liberais assumirão os primeiros lugares. Os terroristas e eternos perseguidos políticos agradecerão, mais uma vez, por ter suas versões exclusivas preservadas pelo poder público.



José Augusto de Castro Neto é Empresário, Santa Bárbara/MG



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