CONTRA CORRUPÇÃO - Paranenses se mobilizam contra corrupção no Legislativo
Fonte: Bonde News
Evento contra corrupção reúne mais de mil em Londrina. Manifestantes foram até o Calçadão protestar contra irregularidades e desvios de R$ 26 milhões na Assembleia. Justus foi principal alvo - Auber Silva - Bonde - 08/06/2010
Desde jovens a idosos. Mais de mil pessoas participaram do ato público na noite desta terça-feira (8), no Calçadão de Londrina. A campanha 'O Paraná que queremos' ocorreu simultaneamente em diversas cidades do estado e cobrou a punição dos responsáveis pelas irregularidades ocorridas na Assembleia Legislativa. O Ministério Público já identificou o desvio de R$ 26 milhões com a contratação de funcionários fantasmas.
O ato teve o apoio de diversas entidades, dentre elas a OAB, Movimento Estudantil, Cut, Igrejas Católica e Evangélica e diversas entidades de classe.
"Estamos tirando o paranaense dessa letargia. Estamos ouvindo todo dia notícias sobre corrupção, de malversação de recursos públicos, e não nos preocupamos", criticou o presidente da OAB subseção Londrina, Elizandro Pellin.
"Essa união de forças engrossa o movimento, soma forças para cobrar moralização no nosso Estado. Londrina tem sua participação popular. Somos engajados", disse o presidente do Sindicato dos Bancários, Wanderley Crivellari.
Assinaturas eram colhidas e engrossavam o pedido para a saída dos membros da Mesa Diretora da Assembleia. "Tem que ser feita auditoria independente na Assembleia, cobramos apuração dos fatos, punição dos corruptos", criticou.
Gelsy Gonçalves endossava o protesto. "Precisamos nos posicionar para ver se a coisa muda", criticou a bioquímica. A universitária Daniela Salessi ratificou a posição. "Não pode ficar assim", disse.
Até promotor público estava presente. "Sou cidadão. Tenho o dever perante minha família de vir. Nós só vamos mudar quando o cidadão tomar a frente dos protestos. O judiciário não consegue mudar a realidade sozinho", disse Renato Lima Castro.
Mudança
O Observatório Social deve fazer o trabalho de auditoria na Assembleia Legislativa, promovendo a transparência total na administração do órgão, com acompanhamento dos contratos e despesas públicas.
O presidente da entidade em Londrina, Waldomiro Grade, também esteve participando do ato contra a corrupção. "Isso tudo acontece porque somos os grandes culpados. Nós somos os grandes culpados pelas coisas terem atingido essa escalada. Só vamos mudar a política se cobrarmos, mas há uma visível insatisfação popular", disse.
Igrejas se unem contra corrupção no Paraná. As igrejas Católica a Evangélica se uniram contra os atos de corrupção e também cobraram a saída dos membros da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa.
No protesto ocorrido na noite desta terça-feira (8), no Calçadão de Londrina, bispo e pastor subiram no palanque para cobrar moralização da política paranaense. Dom Orlando Brandes leu carta da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), exigindo o fim da corrupção no país. "O grande número de cidadãos eleitores tem sido traído por aqueles que foram eleitos, dadas as suas atitudes ilícitas no trato da coisa pública. A consciência cidadã não permite calar e deixar a corrupção corroer e minar as estruturas sociais. A impunidade causa desânimo e ao mesmo tempo torna-se agente provocador de grandes injustiças. Por isso mesmo, consideramos pertinente toda manifestação dessa mesma consciência, desde que feita na ordem e no respeito ao patrimônio público, e repudiamos qualquer violência do Estado sobre ela. Os que buscam o exercício de cargos públicos, eleitos ou não, devem fazê-lo com uma profunda consciência cidadã, para a qual o exercício do poder, qualquer que seja, deve se traduzir num real serviço ao bem comum. A corrupção deturpa a democracia que tem no povo o princípio do Poder. E não nos esqueçamos dos que promovem os atos de corrupção através do poder econômico. Daí se exigirem providências enérgicas, medidas saneadoras, e uma legislação que puna exemplarmente todos os implicados em tais atos." Dom Orlando cobrou ações conjuntas para combater a corrupção no Paraná. "Precisamos um bom diálogo entre todas as forças da sociedade para que juntos, como neste exemplo, tomarmos ações conjuntas e de articulação. Isso é uma força muito grande", disse.
Curitibanos também pedem ética na Assembleia do Paraná
Manifestantes lotaram nesta noite a Boca Maldita, no centro de Curitiba, em um protesto contra a corrupção e pedindo ética na política. A manifestação foi liderada pela seção paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), motivada pelas investigações que apontaram, até agora, desvios de R$ 26 milhões por meio de nomeações de funcionários "fantasmas" na Assembleia Legislativa do Paraná. Pelo menos outros 12 municípios fizeram manifestações no mesmo horário.
"O Brasil, através do Paraná, dá um grito de basta à corrupção, de basta à impunidade", disse o presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, que esteve presente. Por meio da internet, a OAB recebeu a adesão de cerca de 500 entidades à campanha "O Paraná que Queremos" e coletou a assinatura de mais de 23 mil pessoas. Os manifestantes pedem a apuração de todas as denúncias levantadas e sugerem o afastamento da Mesa Diretora da Assembleia no período das investigações.
O presidente da seccional paranaense, José Lúcio Glomb, anunciou que encaminhará à Assembleia Legislativa um anteprojeto de lei, preparado pela Associação Paranaense dos Juízes Federais, com a finalidade de aumentar a eficácia dos princípios da impessoalidade, moralidade e publicidade previstos pela Constituição Federal. Segundo Glomb, a proposta visa tornar mais transparente os atos administrativos nos Três Poderes, além do Ministério Público, Tribunal de Contas, autarquias e fundações.
O anteprojeto prevê que os atos e despesas públicas sejam publicados unicamente no Diário Oficial do Estado, inclusive na versão eletrônica. Determina ainda que todos os órgãos oficiais tenham um portal de transparência, onde devem estar, entre outros itens, a relação de servidores, com local de lotação e vencimentos. O anteprojeto também proíbe a nomeação de parentes até terceiro grau. A OAB está propondo ainda que a Assembleia Legislativa contrate uma empresa de auditoria para promover uma reestruturação administrativa na Casa, através de um concurso público, visto que o último é de 1962.
À tarde, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Nelson Justus (DEM), reclamou que as entidades que promoveram a manifestação "não tentaram ouvir a nossa parte". Justus, que já anunciou que não deixará o cargo, prometeu que os deputados vão analisar as propostas, podendo adotá-las. "Nós temos a humildade para isso", disse.