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MAFIA - Industriário foi executado por ajudar jovens a se afastarem das drogas



Fonte: Zero Hora



EXECUÇÃO EM CHURRASCARIA. Morto por se opor ao tráfico. Industriário que ajudava jovens a se afastarem das drogas teria desagradado a patrão de boca de fumo - JOSÉ LUÍS COSTA

A polícia acredita estar diante de um novo caso de assassinato de cidadãos que se opuseram ao tráfico de drogas na Capital. Ontem, um homem de 35 anos, apontado como patrão das bocas de fumo da Vila Nazareth, uma das mais pobres da Capital, foi preso sob suspeita de mandar matar, em março, em um restaurante, o industriário e estudante de Administração Edgar Vidaleti da Silva, 30 anos.

Segundo o delegado Arthur Raldi, da Delegacia de Homicídios, o motivo seria eliminar a vítima que faria ações sociais na vila, ajudando jovens a se afastarem das drogas, em especial, do crack.

– Esse trabalho teria desagradado aos traficantes, e o chefe deles determinou a morte da vítima – disse Raldi.

Conforme o delegado, a família do estudante pouco tem ajudado para esclarecer o crime:

– Estão assustados. Prestaram depoimentos cheios de evasivas.

A família contesta a polícia. Prima do casal, a advogada Morgana Delfino assegura que Vidaleti não tinha atividade voluntária e que ele foi morto, possivelmente, por engano:

– A vida dele era se dedicar ao trabalho, aos estudos e à família.

A versão policial se baseia em relato de um morador da vila. Com base nisso, a polícia obteve ordem judicial para vasculhar casas e prender temporariamente o suspeito de encomendar a morte e dois soldados do tráfico apontados como executores do crime com uma pistola calibre 9 mm e um revólver calibre 38. Cerca de 25 agentes da Homicídios participaram das buscas.

Suposto mandante do crime, Daniel Alex da Silva Dutra, 35 anos, foi capturado, em casa, sem oferecer resistência, em um beco da Vila Nazareth, por volta das 7h de ontem. Na moradia, foram apreendidas facas, adagas e espadas. Os outros dois não foram encontrados – a polícia não divulgou seus nomes.

– Soubemos que um deles desapareceu da vila porque tinha sido agredido pelo patrão do tráfico, justamente por falar sobre o crime e quem tinha ordenado a execução– afirmou Raldi.

Interrogado, Dutra – que já foi preso por furto – negou envolvimento no caso. A promotora Lúcia Helena Callegari lembrou que, se for confirmado, esse seria o terceiro caso semelhante, o segundo com morte, ocorrido em Porto Alegre nos últimos três anos.

– Pessoas tentam levar os outros para o lado do bem e terminam dessa forma – lamentou.



Crime em almoço familiar - Às 13h30min de 28 de março, dois homens com capuzes e bonés encobrindo os rostos chegaram em bicicletas à Churrascaria do Bigode, na Avenida Sertório, na zona norte da Capital, e desferiram tiros contra clientes. O industriário e estudante de Administração Edgar Vidaleti da Silva, 30 anos, que almoçava com a mulher, a filha de dois anos e um enteado, foi alvejado por dois tiros nas costas e morreu. Uma grávida de 38 anos, o filho dela, de 13 anos, e o irmão da mulher, de 39 anos, ficaram feridos. Os criminosos fugiram a pé em direção à Vila Nazareth. Perícias foram realizadas nas bicicletas deixadas no local, mas nenhuma impressão digital foi coletada por causa da chuva daquele dia. Evangélico, considerado bem-humorado e prestativo, Vidaleti era ex-jogador de futebol profissional em Santa Catarina, estudava Administração e trabalhava em uma multinacional..

OUTROS CASOS

- Há cerca de três anos, o presidente de uma associação de moradores de uma vila na zona norte da Capital sofreu tentativa de homicídio por parte de traficantes, que queriam assumir o controle da entidade. A vítima vive escondida sob a guarda do programa de proteção a testemunhas.

- Em dezembro, o líder comunitário da Vila Chocolatão, Léo Antônio Genovêncio Maciel, 57 anos, foi assassinado, supostamente, por traficantes descontente com atuação social da vitima. Sob ameaças, a família de Léo se mudou para Canoas, mas em maio, dois filhos dele, Léo Junior, 23 anos, e Diogo Maciel, 29 anos, também foram assassinados.



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