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POLICIAL HERÓI - Inspetor aposentado da PC-RS é baleado na cabeça ao salvar família de assalto



Fonte: Zero Hora



Morto por cumprir juramento. Ex-inspetor da Polícia Civil foi baleado na cabeça ao salvar família de assalto na zona norte da Capital, na noite de quinta-feira - JOSÉ LUÍS COSTA

Aposentado da Polícia Civil havia quatro anos em razão da saúde debilitada, Jelson Silveira Davila, 54 anos, trabalhava como advogado, mas jamais esqueceu o juramento que um dia fizera de defender a sociedade com a própria vida. Na noite de quinta-feira, o ex-inspetor não hesitou ao ver três pessoas em um carro sendo assaltadas por ladrões em uma sinaleira do bairro Jardim Floresta, zona norte de Porto Alegre.

As vítimas saíram sem um arranhão, mas Davila tombou morto, alvejado com um tiro na cabeça, disparado por um dos bandidos. Até ontem à tarde, não havia pista de suspeitos.

– Ele sempre foi linha de frente. Não esqueceu que era policial e não se conformava com a aposentadoria – lembrou o ex-colega e amigo Flávio da Silva Gatti, 56 anos, comissário da 3ª Delegacia da Polícia Civil (bairro Floresta) da Capital, durante o velório na Grande Loja Maçônica do Estado, que reuniu dezenas de parentes e amigos no bairro Cidade Baixa.

– Perdemos um irmão muito dinâmico – resumiu Paulo Stocker, tenente-coronel da Brigada Militar.

Colegas não se cansavam de enaltecer a trajetória de Davila, um policial temporão, que abraçou a carreira aos 39 anos, ajudou a prender perigosos assaltantes de bancos na década de 1990, mas se viu forçado, 10 anos depois, a tornar-se um ex-inspetor por conta de sérias lesões no coração.

– Era muito valente e não tolerava covardia. Por três vez, eu o vi descer da viatura para impedir que carroceiros maltratassem cavalos – recordou o comissário Gatti.

Ex-inspetor mudou caminho para fugir de engarrafamento

Na 9ª DP (Passo da Areia), responsável pele elucidação do caso, o inspetor Jorge Rubim lamentava o crime.

– É muito triste. Em nove anos, essa é sexta morte de colega que tenho de investigar – desabafou.

Inconsolável, Gilberto, 46 anos, irmão de Davila, lembrou da determinação do ex-policial:– Era meu sócio em uma loja de autopeças, mas dizia que ficar atrás do balcão não era vida para ele. Voltou a estudar já adulto, completou os ensinos Fundamental e Médio, cursou Direito, entrou para a Polícia Civil e se tornou advogado.

Davila perdeu a vida instantes depois de chegar à Capital após retornar de uma viagem de trabalho a Passo Fundo. Para escapar de engarrafamentos até o bairro Rubem Berta, preferiu um caminho alternativo e, às 19h, parou seu Audi na fila de carros no cruzamento da Rua Paquetá com a Avenida Sertório. Na frente dele, um Palio com dois homens e uma mulher. Em questão de segundos, o veículo foi cercado por quatro bandidos – jovens, aparentando 20 anos, com o rosto semiencoberto por capuzes e toucas.

Ao ver os bandidos roubando pertences das vítimas, Davila saiu do carro com uma pistola calibre .40 e gritou que era policial. Assustados, três bandidos correram em direção à Vila Nazareth. Mas um dos ladrões ficou e entrou em luta corporal com Davila. Na tentativa de desarmar o rapaz, sem feri-lo, o ex-policial foi atingido na cabeça pelo criminoso que, antes de fugir, ainda roubou a pistola de Davila.

Após o velório na Grande Loja Maçônica, o corpo de Davila seguiu em um cortejo, acompanhado por viaturas policiais até o Cemitério Jardim da Paz. Por uma triste coincidência, Davila foi sepultado no mesmo dia em que o pai dele morreu, 22 anos atrás.



Polícia na caça de suspeitos

Agentes da 9ª DP procuram em vilas da Zona Norte os quatro homens envolvidos na morte do advogado e ex-policial Jelson da Silveira Davila, 54 anos, na noite de quinta-feira. Além de buscas em endereços suspeitos, os policiais tentam identificar os bandidos com ajuda de motoristas assaltados na mesma região. As três pessoas salvas pelo ex-policial afirmaram não ter condições de reconhecer os criminosos porque eles usavam capuzes e toucas. Conforme o delegado Adilson Carrazzoni dos Reis, os bandidos agem em sinaleiras com objetivo exclusivo de roubar objetos pessoais das vítimas.

Latrocínio em alta no Estado O latrocínio (roubo com morte) é o crime que mais cresce no Estado em 2010. Nos primeiros seis meses, a Secretaria da Segurança Pública contabilizou aumento de 24,1%. Foram 36 casos contra 29 no mesmo período de 2009. Em média, uma vítima é assassinada por criminosos a cada cinco dias. Junho registrou o índice de mortes mais alarmante. Foram oito assassinatos no período, enquanto em junho de 2009 não houve registros desse tipo de crime no Estado. Até 15 de julho, já ocorreram 38 latrocínios no Estado, sete na Capital.



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