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CORRUPÇÃO - PMs pedem 10 e recebem mil reais para liberar atropelador do filho da atriz global



Fonte: O Globo



PMs exigiram R$ 10 mil para liberar atropelador do filho de Cissa Guimarães, segundo depoimento do pai - 23/07/2010 às 23h56m; Ana Cláudia Costa, Vera Araújo e Gustavo Goulart



RIO - Depois da violência da morte do músico e skatista Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães, atropelado por um jovem suspeito de participar de um pega, e de a Polícia Militar admitir que errou, quando PMs liberaram o atropelador, o caso ganhou contornos ainda mais graves. Nesta sexta-feira, ao depor na 15 DP (Gávea), o empresário Roberto Bussamra, pai do atropelador, Rafael Bussamra, revelou que pagou mil reais dos R$ 10 mil exigidos pelo sargento Marcelo Leal de Souza Martins e pelo cabo Marcelo Bigon, que liberaram o veículo, um Siena.

À noite, o comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio de Brito Duarte, determinou a prisão administrativa dos dois policiais. "Estou estarrecido e envergonhado", disse o coronel Mário Sérgio Duarte ao ler o depoimento de Roberto, que considerou bastante detalhado e que de estarrecer qualquer um que o leia. A Corregedoria Interna da PM pediu à Justiça a decretação da prisão preventiva do sargento e do cabo, para que eles fiquem no Batalhão Especial Prisional. Policiais da corregedoria foram prendê-los em casa. Os PMs vão responder a inquérito policial-militar por corrupção passiva. Já o empresário vai ser autuado num inquérito por corrupção ativa, a ser instaurado na 15ª DP.

Em depoimento à delegada Bárbara Lomba, Roberto disse que foi chamado pelo filho Rafael, por volta das 2h da última terça-feira, logo após o atropelamento, na pista interditada do Túnel Acústico, na Gávea. Embora o filho estivesse nervoso, teria acionado a PM e os bombeiros. Segundo o empresário, meia hora depois, ele se encontrou com Rafael Bussamra na Rua Pacheco Leão, no Jardim Botânico, onde o atropelador, um amigo e dois PMs conversavam. O empresário disse que um dos policiais se identificou como Leonardo, nome que depois descobriu ser falso. O policial teria dito que ele e seu colega "tinham ajudado muito" Rafael Bussamra, que estava em estado de choque.

Encontro marcado na Praça Mauá

Em seguida, de acordo com Roberto, o policial teria perguntado o que o pai do atropelador poderia fazer por ele, "pois tinha ajudado muito". Segundo o empresário, o PM alegou que descreveu no boletim de ocorrência as avarias do carro com informações erradas, desfez o local do crime e retirou Rafael Bussamra do lugar do acidente. Nesse momento, o cabo teria exigido R$ 10 mil pelos "serviços prestados".

O empresário contou que os PMs ficaram aguardando a chegada do reboque com eles, na Praça Santos Dumont, na Gávea, longe das câmeras da CET-Rio. No depoimento, Roberto disse ainda que um dos policiais reclamou com o motorista do reboque, porque deixou o Siena com os faróis acesos, o que chamaria a atenção. Eles acompanharam tudo, alegando que dariam cobertura.

O carro avariado chegou à oficina, em Quintino, às 4h30m. Segundo Roberto, às 5h15m, ele, o filho e os PMs deixaram o local e combinaram um encontro em frente à Caixa Econômica Federal do Arsenal de Marinha, na Praça Mauá, por volta das 10h. No lugar marcado, segundo o empresário, os policiais ficaram dentro de um carro particular, um Renault Logan, aguardando o pai do atropelador sacar o dinheiro. Os PMs ficaram perto de lojas que vendem uniformes militares. O pai de Rafael Bussamra disse que sacou R$ 6 mil, dividindo a quantia em mil reais num bolso da calça e R$ 5 mil em outro. Ele contou que, ao sair do banco, resolveu dar apenas mil reais e explicou aos PMs que precisava pegar o restante em outra agência, na Avenida Presidente Vargas.

Já no outro banco, enquanto aguardava a hora de falar com o gerente para sacar os R$ 4 mil restastes, Roberto disse ter recebido um telefonema da mulher, revelando que o rapaz atropelado era filho da atriz Cissa Guimarães. O empresário contou que procurou os PMs e disse que não lhes daria mais nada. O outro filho de Roberto, Guilherme, confirmou o depoimento do pai. A denúncia de corrupção não livra o atropelador do crime de homicídio culposo, mas agrava a situação de impunidade. Os PMs já tinham cometido o desvio de conduta de ter liberado o atropelador, conforme foi flagrado pelas câmeras da CET-Rio na madrugada do acidente.

Uma bandalha a 100km/h, diz especialista

Para o perito Mauro Ricart Ramos, especialista em análise de acidentes de carro, que já dirigiu o Instituto de Criminalística Carlos Éboli, o veículo que atropelou o músico Rafael Mascarenhas estava a pelo menos cem quilômetros/hora. Ele chegou a essa conclusão observando as avarias no Fiat Siena do atropelador.

- Cansei de fazer esse tipo de perícia. É uma das minhas especialidades. Posso falar com muita precisão: o carro estava em alta velocidade. As avarias indicam que ele estava a pelo menos cem quilômetros por hora. A vítima geralmente é atingida na perna. Em seguida, a pessoa dobra o corpo e bate no capô, que, no caso do Siena, sofreu afundamento. Por fim, atinge o para-brisa - explica.

O professor da Coppe/UFRJ Moacyr Duarte também acha muito provável que o carro estivesse em alta velocidade. Engenheiro mecânico da Fiat, Carlos Henrique Ferreira disse que os estragos no Siena demonstram que o carro se deformou bastante, o que dificilmente aconteceria se o motorista estivesse em baixa velocidade.



Justiça nega pedido de prisão dos PMs acusados de receber propina para liberar atropelador de Rafael Mascarenhas - 24/07/2010 às 10h19m; Claudio Motta



RIO - O juiz Alberto Fraga, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, negou na madrugada deste sábado o pedido de prisão preventiva dos policiais militares Marcelo Bigon e Marcelo Leal de Souza Martins, cabo e sargento do 23º Batalhão (Leblon), feito pela Corregedoria da Polícia Militar. Os dois policiais são acusados de cobrar propina de Roberto Bussamra, pai de Rafael Bussamra. motorista que confessou ter atropelado na terça-feira Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães. O pedido da prisão preventiva foi determinado pelo comandante-geral da PM do Rio, coronel Mário Sérgio Duarte, que também determinou a prisão administrativa dos policiais. O Tribunal de Justiça não informou a justificativa do juiz para a negativa do pedido e a PM não foi encontrada para comentar o assunto.

Nesta sexta-feira, ao depor na 15 DP (Gávea), o empresário Roberto Bussamra, pai do atropelador, Rafael Bussamra, revelou que pagou mil reais dos R$ 10 mil exigidos pelo sargento Marcelo Leal de Souza Martins e pelo cabo Marcelo Bigon , que liberaram o veículo, um Siena.

À noite, o comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio de Brito Duarte, determinou a prisão administrativa dos dois policiais. "Estou estarrecido e envergonhado", disse o coronel Mário Sérgio Duarte ao ler o depoimento de Roberto, que considerou bastante detalhado e que de estarrecer qualquer um que o leia. A Corregedoria Interna da PM pediu à Justiça a decretação da prisão preventiva do sargento e do cabo, para que eles fiquem no Batalhão Especial Prisional. Policiais da corregedoria foram prendê-los em casa. Os PMs vão responder a inquérito policial-militar por corrupção passiva. Já o empresário vai ser autuado num inquérito por corrupção ativa, a ser instaurado na 15ª DP



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