FRAUDE NAS MULTAS - Quadrilha transfere pontos e falsificam recursos no Detran RS
Fonte: Zero Hora
LIVRES DE INFRAÇÕES. Detran detecta fraudes na transferência de pontos. Ao menos 64 motoristas escaparam de multas no primeiro semestre de 2010 - GIOVANI GRIZOTTI
O Departamento Estadual de Trânsito (Detran) gaúcho detectou 64 suspeitas de fraude envolvendo a transferência de pontos da carteira de motoristas no primeiro semestre de 2010. Tentativas de se livrar das infrações também foram verificadas pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), que descobriu até prontuários médicos falsos apresentados para justificar flagrante por excesso de velocidade.
Nomes de motoristas mortos foram usados nos golpes. É o caso de Milton Rodrigues de Freitas, “flagrado” duas vezes falando ao celular enquanto dirigia em Porto Alegre, em dezembro de 2009. Para a carteira dele, foram transferidos oito pontos. Procurada pela reportagem da RBSTV, a viúva do motorista, que mora no bairro Umbu, em Alvorada, ficou surpresa. Ela disse que o condutor já estava morto antes mesmo de ter cometido a suposta infração.
Segundo o Detran gaúcho, o nome e os documentos de Freitas foram usados para que o verdadeiro infrator não perdesse pontos na carteira e o direito de dirigir, ao completar 20 pontos. Para evitar falsificações, o órgão está conferindo a documentação de quem entra com pedido para fazer a transferência de pontos. Os casos suspeitos seguem para investigação criminal.
– Os processos estão sendo encaminhados para a Polícia Civil para a apuração do ilícito penal, do ilícito criminal – garante Ildo Mário Szinvelski, diretor técnico do Detran.
Despachantes e advogados fornecem informações falsas
De acordo com o Ministério Público, os golpistas também usam prontuários de atendimento médico falsos para tentar anular multas. A reportagem da RBS TV teve acesso a supostas guias da emergência do Hospital da PUCRS, apresentadas à EPTC como “prova” de que os motoristas somente estavam em excesso de velocidade porque conduziam pacientes ao hospital. Os boletins de atendimento são idênticos. Só mudam o nome do paciente, a data e o horário de entrada.
– Algumas pessoas, que seriam os pacientes, sequer existem nos bancos de dados. As patologias são sempre as mesmas, as orientações e recomendações médicas são sempre as mesmas, a assinatura é idêntica. Ou seja, nitidamente falsos - afirma o promotor Flávio Duarte, da Promotoria Especializada Criminal, que investiga o caso.
Duarte já ouviu um intermediário, que admitiu ter preparado o recurso à EPTC para tentar anular a multa. Despachantes e advogados que fornecem informações falsas aos órgãos de trânsito estão sendo identificados e podem pegar até cinco anos de prisão para cada tentativa de fraude.