DIVERGÊNCIA POLICIAL - Tiroteio entre policiais acaba em morte de vigia
Fonte: Zero Hora
Tiroteio entre policiais acaba em morte de vigia. Após briga em Canoas, PMs fardados e agentes em serviço discutiram com armas em punho - FRANCISCO AMORIM
Protagonizado por dois policiais militares e um policial civil, um tiroteio na madrugada de ontem na boate Clube Bar e Bar, em Canoas, resultou na morte de um segurança. A briga na casa noturna, no bairro Fátima, quase terminou em novo confronto, desta vez, em frente à Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) com PMs fardados e policiais de serviço discutindo com armas em punho.
Atroca de tiros aconteceu por volta das 5h, quando o policial civil Nelso Ribeiro, 40 anos, e seu amigo José Valdir Ribeiro da Silva, 38 anos, desentenderam-se na entrada do estabelecimento com os PMs Braulio Santana Pedroso, 37 anos, e Rafael Silveira Antunes, 30 anos, que estavam de folga, e com o segurança Luciano dos Santos Cardoso, 32 anos.
Conforme o comandante do 15º Batalhão de Polícia Militar, major Gerson Dias Gomes, as circunstâncias em que PMs e policial civil teriam trocado tiros ainda não estão claras.
Há suspeita de que os dois PMs estariam fazendo bico no local como seguranças e teriam barrado o policial civil (atualmente afastado das funções devido a uma investigação da Corregedoria de Polícia), que desejava entrar armado na boate. Os dois grupos entraram em luta corporal, e Silva teria retirado a arma de um dos PMs.
No tiroteio, Cardoso foi atingido na cabeça e morreu. Também foram baleados Silva e os PMs Antunes e Santana.
– Após o tiroteio, o policial civil fugiu em seu Astra, atirando em guarnições da Brigada que foram ao local atender à ocorrência. Ele seguiu pela contramão na BR-116 até a DPPA, onde se escondeu – conta o major.
Ao se refugiar na delegacia, Nelso motivou outra cena inusitada. Para proteger o colega de corporação que entrara correndo no local afirmando que PMs queriam matá-lo, policiais civis foram para a rua. Por alguns instantes, do lado de fora da DPPA, PMs que atendiam à ocorrência e plantonistas da Civil ficaram frente a frente, discutindo com armas em punho.
– O policial já estava dentro da delegacia, por isso, não havia mais necessidade de a Brigada entrar para prendê-lo. O delegado de plantão no momento contornou rapidamente a questão – explicou o delegado Eduardo Azeredo, responsável pela DPPA.
Policial foi autuado por porte ilegal de pistola
Resolvido o impasse que envolveu mais de 40 PMs e 20 agentes da Civil, o delegado plantonista Paulo Florentino Machado autuou Silva, amigo do policial civil afastado, pela morte do segurança. Já Nelso foi autuado por porte ilegal de uma pistola e seria recolhido ontem à carceragem do Grupo de Operações Especiais (GOE), na Capital.
– Ele não poderia estar andando armado por estar afastado das atividades – afirmou Azeredo.
O caso será investigado pela 4ª Delegacia de Polícia. Uma sindicância foi aberta para averigar se os PMs faziam bico, o que é proibido na Brigada Militar.
Contrapontos
O que diz o major Gerson Dias Gomes, comandante do 15º Batalhão de Polícia Militar - ‘’É compreensível a reação inicial dos agentes da Civil que atenderam a um falso pedido de socorro do colega na frente da delegacia. Após serenar os ânimos, os PMs conseguiram dar voz de prisão ao policial. Mas foi um episódio lamentável.’’
O que diz o Chefe de Polícia, delegado Álvaro Steigleder - “Vou receber um relatório amanhã (hoje) completo da Corregedoria de Polícia sobre o tiroteio e sobre o episódio em frente à delegacia. Sei que houve um momento de tensão na delegacia, mas as duas corporações precisam trabalhar juntas.’’