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ERRO POLICIAL - Moto não para em abordagem, PM atira e mata jovem de 14 anos na garupa do pai



Fonte: O Globo



Violência. Moto não para em abordagem, policial atira e mata jovem de 14 anos em Fortaleza - 26/07/2010 às 13h36m; Bom Dia Brasil, TV Verdes Mares



SÃO PAULO - Um policial militar de Fortaleza matou por engano com um tiro na cabeça um jovem de 14 anos que estava na garupa da motocicleta do pai. O adolescente havia ido trabalhar com o pai e ambos voltavam para casa. Eles não pararam a uma abordagem policial porque não ouviram a ordem para parar. O policial militar Yuri da Silveira, de 25 anos, atirou contra eles e acabou matando o adolescente.

O adolescente foi identificado como Bruce Cristian de Oliveira Souza. O pai dele, Francisco das Chagas de Oliveira Souza, de 37 anos, tinha ido fazer o conserto de um ar-condicionado, e o rapaz o acompanhou.

O caso aconteceu no cruzamento da Avenida Desembargador Moreira com a rua Beni de Carvalho. Francisco das Chagas e o filho Bruce vinham pela Rua Beni de Carvalho, sentido Centro. Ao chegar na Avenida Desembargador Moreira, convergiram à esquerda. Na esquina, estava parada a viatura 1031 do Ronda, e os policiais desconfiaram que a moto fez a curva para não passar por eles. Os policiais sinalizaram para que parassem, suspeitando que estivessem armados.

Segundo major Valberto Melo, o soldado autor do disparo, alegou que solicitou que encostassem. Como o pedido não foi atendido, ele teria tentado acertar o pneu da motocicleta, mas acabou acertando a cabeça do adolescente, que morreu no local.

Os policiais chamaram o Samu. Único a conversar com o pai da vítima, o major Valberto afirmou que Francisco alegou não ter ouvido nenhum pedido para encostar.

- Foi uma abordagem desastrosa e trágica. Mandaram que ele parasse, ele não ouviu e o policial efetuou um disparo contra a moto - afirmou o major Valberto.

Bruce era o filho mais velho dos três de Francisco. A caixa de ferramentas que o pai, técnico de refrigeração, ficou espalhada pelo chão.

- Esse policial tirou a vida de uma criança inocente - disse um tio de Bruce.

O policial Yuri faz parte do policiamento comunitário. Ele se apresentou espontaneamente. O policial foi afastado das ruas vai responder inquérito por homicídio.

Na semana passada, outro episódio de despreparo dos policiais militares de Fortaleza foi registrado. Um policial foi chamado para apartar uma briga de vizinhos e acabou agredindo um dos envolvidos com um tapa na cara. A cena foi registrada por um vídeo. No mês passado, um vídeo mostrou que policiais do Ceará que fazem ronda em quarteirões foram obrigados a tomar água em vasilhas para cães durante o treinamento, além de receber choques elétricos.



Comando diz que morte de adolescente foi ato isolado de policial - 26/07/2010 às 13h32m; Isabela Martin



FORTALEZA - O comando geral da Polícia Militar do Ceará instaurou nessa segunda-feira um processo administrativo-disciplinar (Pad) para apurar a responsabilidade do policial Yuri Silveira, de 25 anos, que matou com um tiro na nunca um adolescente de 14 anos que estava na garupa da moto do pai, quando retornava de um trabalho neste domingo. Bruce Cristian foi atingido morreu no local.

Em entrevista coletiva realizada na manhã dessa segunda-feira, o comandante do Ronda do Quarteirão, lamentou o episódio, disse que o caso será apurado com isenção, mas ressaltou que a instituição não pode ser penalizada pela ação isolada de um policial.

- Na abordagem, a verbalização é tida como prioritária, antes do disparo, O tiro só deve ser efetuado em ultimo caso, disse o comandante do Ronda, tenente-coronel Werisleik Matias Ponte.

Pai e filho retornavam de um serviço e cruzaram por uma viatura do Ronda do Quarteirão, programa de policiamento comunitário implantado em 2008. O policial alegou em depoimento que considerou a atitude dos dois suspeita. Pouco depois de cruzarem a viatura, que estava parada, teriam olhado para trás várias vezes e, depois de uma perseguição, o pai não teria atendido ao pedido de encostar a moto, avançado o sinal vermelho supostamente para fugir da policial. Ele não teria ouvido a ordem para parar. Desesperado, Francisco das Chagas de Oliveira Souza, 37 anos, permaneceu deitado por cerca de meia hora sobre o corpo do filho estendido no asfalto da avenida

Oficiais da PM consideraram a abordagem "desastrosa e infeliz". O policial integra a primeira turma do programa de policiamento comunitário Ronda do Quarteirão e estava em estágio probatório. O diferencial do programa seria a formação humanitária dos policiais. O Ronda conta com 2.680 policiais e uma nova turma com 1.200 está prestes a se formar.

Yuri apresentou-se ao 2º distrito policial, prestou depoimento e encontra-se recolhido no Batalhão de Policiamento Comunitário. Em entrevista coletiva realizada na manhã dessa segunda-feira, o comandante do Ronda do Quarteirão, lamentou o episódio, disse que o caso será apurado com isenção, mas ressaltou que a instituição não pode ser penalizada pela ação isolada de um policial.

O procedimento administrativo ficará concluído em até 45 dias, sem prorrogação. O policial será julgado por uma junta disciplinar que decidirá, ao final, se ele permanecerá na coorporção. O corpo do adolescente será enterrado hoje em Pacatuba.



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